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	<title>Corpomente &#187; terapia</title>
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		<title>Remédio ou Psicoterapia?</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2015 18:56:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Seixas]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O tratamento das doenças mentais pode ser um tema de grandes controvérsias e falsas premissas.O raciocínio é mais ou menos assim: se as doenças forem consideradas biológicas, os tratamentos serão medicamentos, se forem psicológicas, psicoterapia. O primeiro problema com essa linha de raciocínio é a sua premissa básica: a dicotmia mente versus cérebro. Porém a...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O tratamento das doenças mentais pode ser um tema de grandes controvérsias e falsas premissas.O raciocínio é mais ou menos assim: se as doenças forem consideradas biológicas, os tratamentos serão medicamentos, se forem psicológicas, psicoterapia.<span id="more-162"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro problema com essa linha de raciocínio é a sua premissa básica: a dicotmia mente versus cérebro. Porém a distinção mente e cérebro (ou mental versus físico, ou biológico versus psicológico) está muito arraigada. Consequentemente, é provável que não seja suficiente apontar esta falsa dicotomia para dissuadir as pessoas da tolice da distinção entre fármacos e a psicoterapia.</p>
<p style="text-align: justify;">Um segundo problema, em particular, é que esta falsa dicotomia introduz uma simplificação inadequada no cuidado das doenças mentais, que não  temos para outras doenças. Se uma pessoa sofre de diabete, não perguntamos: será que essa pessoa deve tomar medicamentos ou deve ser orientada e amparada para menter um estilo de vida saudável? O diabte é tratado com fármacos, mas também com dieta, exercícios e apoio psicológico para as adaptações que são necessárias no estilo de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem exemplos intermináveis de terapias combinadas para outras doenças e nem por um só momento levantamos falsos extremismos quando os médicos sugerem combinações de medicamentos e outros tipos de tratamentos. Por que devemos questionar se as doenças mentais devem ser tratadas com medicamentos ou terapia?</p>
<p style="text-align: justify;">Um terceiro problema com essa linha de raciocínio é que ela não reconhece que os fármacos afetam a mente e que a psicoterapia afeta o cérebro. O fato de que os fármacos afetam a mente (assim como o cérebro) é algo que  a maioria das pessoas compreende. Se não compreendem, elas têm observações obrigatórias em vidros de remédios de medicamentos para alergia e dor, que afirmam que “estes medicamentos podem ser sedativos”. As funções mentais são reperesentadas pela atenção, excitação, estado de alerta, memória e humor. Fármacos de todos os tipos afetam essas funções.</p>
<p style="text-align: justify;">As drogas ilegais como a maconha e anfetamina são usadas justamente porque afetam as funções mentais de uma maneira que as pessoas consideram interessante. Existem poucas drogas ilegais disponíveis que atuem outras áreas além dessas funções.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que, então as pessoas cometem o engano de igualar os fármacos e o cérebro (e não à mente)? Por que continuamos a ter preocupações em relação a tratar doenças mentais com medicações?</p>
<p style="text-align: justify;">O fato de que certas “drogas mentais” serem ilegais e os fármacos vendidos sob prescrição médica, às vezes, serem tomados de forma abusiva provavelmente contribui para o tabu em torno do uso de medicamentos para tratar doenças mentais. De maneira paradoxal, o erro também pode ocorrer porque essas substâncias funcionam bem demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das principais realizações dos últimos 50 anos foi o desenvolvimento de medicamentos que são efetivos para reduzir ou eliminar os sintomas de três grandes grupos de doenças mentais: esquizofrenia, transtornos de humor e transtornos de ansiedade. Um masoquismo puritano nos faz sentir que o sofrimento humano não deve ser reduzido de forma tão rápida, pelo menos para as doenças da mente.</p>
<p style="text-align: justify;">Como reverenciamos tanto a mente, temos a sensação de que suas doenças devem ser tratadas com técnicas “mais profundas” como a psicoterapia, que age diretamente sobre a mente e suas funções. Não há nada de errado em usar a psicoterapia para tratar a mente, desde que a utilidade bastante real dos medicamentos não seja desvalorizada.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas pessoas se beneficiam com apoio e orientação das psicoterapias. O probelma não está em usá-la, mas em não reconhecer que os seus efeitos são mentais e físicos. A psicoterapia age sobre a mente e o cérebro. De fato, à medida que entendemos cada vez mais sobre como o cérebro funciona e como ele muda em resposta a experiências, reconhecemos que a efetividade da psicoterapia é ampla e complexa.</p>
<p style="text-align: justify;">As diversas técnicas de psicoterapia agem no cérebro e provocam mudanças no aprendizado, nas maneiras de responder e adaptar-se e isto se traduz em alterações no modo como a pessoa sente, pensa e se comporta. A psicoterapia, às vezes denegrida como apenas falar, é, à sua própria maneira, tão biológica quanto o uso de fármacos.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão não é escolher entre remédio ou psicoterapia. O desafio é encontrar o equilíbrio certo entre estas duas modalidades terapêuticas para cada transtorno específico em cada paciente tratado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando medicações e psicoterapia são polarizadas e jogadas umas contra as outras, temos consequencias indesejáveis. Os pacientes enfrentam orientações conflitantes e são deixados em estado de confusão e dúvida. O melhor conselho não é “ou um ou outro”, mas “ou um, ou os dois”, conforme necessário. Seja qual for o tratamento, os mecanismoas mais básicos são os mesmos, ambos afetam as funções da mente, alterando, em consequência, o cérebro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dra Fernanda Seixas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Psiquiatra da Clínica CorpoMente</p>
<p style="text-align: justify;">(61) 33632934, contato@corpomente.com.br</p>
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